Manuel Bandeira Os Sapos Critical Thinking

Manuel Bandeira é um poeta reconhecido na literatura nacional, fez parte do modernismo brasileiro. Uma de suas poesias, inclusive, foi declamada por Ronald de Carvalho na abertura da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. “Os Sapos” apresenta uma crítica ao parnasianismo, movimento literário que caracterizou os primeiros escritos de Bandeira.

O escritor sofreu com a tuberculose por muitos anos de sua vida, apresentando o sofrimento e a angústia da doença em várias obras literárias. Como sua criação foi extensa, Bandeira passa por períodos distintos e retrata nos poemas tempos de nostalgia, de busca por alegria para viver e de solidão.

Por sua importante atuação na literatura, Manuel Bandeira foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1940, ocupou a cadeira nº 24.

O escritor começou na poesia parnasiana, mas ficou marcado na literatura pela atuação no modernismo. “Os Sapos” foi um dos poemas que se destacaram na obra de Manuel Bandeira, principalmente por ter sido lido no início da Semana de Arte Moderna.

Estilo
O autor busca uma escrita direta e simples, apesar de conhecer e utilizar muitas vezes as formas clássicas de estruturação de poemas. Bandeira atuou como professor de literatura, então, possuia muito conhecimento sobre o tema, fazendo uso das métricas usuais das poesias rígidas.

Doente, Bandeira tinha medo de morrer e colocava essa augústia em suas obras. Outros poemas apresentam a busca pela alegria da vida, apesar dos problemas. O cotidiano também é muito presente em sua obra, assim como uma certa nostalgia, lembrança dos tempos de infância.

Com extensa obra literária, é possível perceber o tradicionalismo e a liberdade em diferentes poemas. A morte, o amor, a solidão estão presentes na sua poesia, da mesma forma que o erotismo e a infância.

O escritor atuou como professor de literatura, tradutor e crítico literário. Manuel Bandeira não participou da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que deu início ao modernismo no Brasil, mas o poema do autor, “Os Sapos”, foi lido na abertura. O poema ridicularizava o parnasianismo. 

Filho de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e Francelina Ribeiro, Manuel nasceu no Recife. Seu tio, João, era membro da ABL, como Bandeira viria a ser anos mais tarde. Sua eleição foi em 1940, o escritor modernista ficou com a cadeira nº 24, que tem como patrono Júlio Ribeiro.

principais obras

  • Estrela da Manhã
  • Libertinagem
  • Os Sapos
  • Vou-me Embora pela Pasárgada

Viveu no Rio de Janeiro por alguns anos, foi aluno do Colégio Pedro II e, em 1904, foi morar em São Paulo. Chegou a começar o curso de arquitetura na Escola Politécnica, mas a tuberculose o obrigou a parar. Durante a doença, resolveu passar um tempo na serra. Para continuar a se tratar, foi para a Suíça, mas a Primeira Guerra fez com que voltasse antes do previsto, em 1914. A doença do autor podia ser sentida nas suas poesias, que apresentavam um certo sentimento de angústia e medo da morte.

É quando volta ao Brasil que o escritor começa a produzir obras literárias. A primeira publicação data de 1917, é o livro “A Cinza das Horas”, os 200 exemplares foram pagos pelo próprio autor. Dois anos depois, foi lançado “Carnaval”, também custeado por Bandeira. Em 1921, na casa de Ronald de Carvalho, começa a se relacionar com importantes escritores, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda.

Em 1950, é um dos candidatos a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro. A candidatura foi feita apenas para agradar os amigos, que precisavam completar a chapa. O escritor morreu de hemorragia gástrica em 1968. Seu corpo foi sepultado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista, no bairro Botafogo, Rio de Janeiro.

O escritor colaborou com várias publicações, entre elas o “Diário Nacional”, “A Província”, “Ariel”, “A Ideia Ilustrada”, “A Manhã”, “Jornal do Brasil” e “Folha da Manhã”. Teve textos publicados em periódicos modernistas também, como “Klaxon”, “Lanterna Verde” e “Revista Antropofagia”. No tradicional Colégio Pedro II, atuou como professor de literatura. Depois, passou a dar aulas de literatura da Faculdade Nacional de Filosofia, deixando o cargo no colégio.

Fontes
Academia Brasileira de Letras
Wikipedia

É surpreendente comunicar-lhes que, em meio a tantas instalações e conceitos, ressurge alguém que ama. Que ama a pintura em sua forma mais singela e despretensiosa, elementar, espontânea. Sim, alguém ainda capaz de pegar em pincéis e, sobre a superfície do papel ou da tela, espalhar cores, criar tramas, construir texturas, inventar narrativas.

Há uma história que merece ser contada. Não é uma farsa, nem novela. Também não se trata de lírica invenção poética desmedida. A fala que se percebe e se ouve, que salta deste conjunto de diferentes estaturas e formatos, é a fala de gente igual a você. Você mesmo, aí, que está lendo este texto. Gente de carne e osso. Gente que sofre e ri. Que se encanta e desata. Que é artista por destino.

Arte (ou destino) não é coisa lá de se achar estranho. Arte não é coisa de gênio. Arte que vale a pena ser vista e vivida é para impregnar nosso cotidiano, invadir nossa casa, habitar o meu, o seu olhar. Há algo melhor para resolver este claro enigma da existência do que acrescentar beleza e não banalidade ao mundo? Se a função da vida é mais vida, Lou acrescenta pitadas, pinceladas, bocadas de tinta aos aromas e sabores de nossa contemplação.

No seu poema Os Sapos, lido na Semana de Arte Moderna de 22, Manuel Bandeira já desancava os parnasianos. Ele estava farto do lirismo comedido, da prosa do mercado, das artimanhas e invencionices dos textos críticos. Ele queria falar de coisas concretas: bons poemas, boas pinturas, boa música. O Brasil se inventava a si mesmo. Adentrávamos os anos 30 e produzíamos excelência na arquitetura, na literatura de caráter regionalista. As pessoas não eram produto da sociedade de espetáculo.

Volto ao passado, a uma época em que se criava sem fanfarronice e sem o olho gordo voltado à mídia. O artista tinha de se provar por seu talento. Por sua entrega. Por seu amor esclarecido a si mesmo e às coisas brasileiras, entranhadas em sua formação.
Lou exalta luzes que trazem bocadinhos do Brasil: memórias, cadeiras em que sentamos, flores que aspiramos, enevoamento que não ousamos dispersar. Tudo se embebe em olhar e tinta. Tudo se dissolve em gesto e corpo. A artista retira sua pele, sua roupa mais íntima e, nua, sem pudor de entrega, se envolve no linho da tela, no algodão ou celulose do papel.

Lou, assim, parece emergir da memória do tempo. [É bom que estejamos despidos de quaisquer sentimentos tolos ao entrarmos no MARGS.] Sua pintura é bruta. Real. Presente. Não há nenhum lirismo desmedido. Ela faz da arte de manchar, com cores, superfícies antes intactas de branco, uma marca. Ouvimos o farfalhar das pinceladas, o marulhar das tintas. Há matéria viva, úmida, impossível de secar pela ação do tempo. Lou parece habitar, mais que às margens do Guaíba, à margem do tempo. E, no entanto, por paradoxo, sua contemporaneidade é radical. Ela não faz concessões. Ela faz pintura.

Leonel Kaz
Editor, professor de cultura brasileira, PUC-RJ

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